Cléo não é um cão

Numa noite chuvosa encontrei uma gata preta toda peluda no terraço da minha casa, estava muito assustada e muito arisca, eu tentei chamá-la para entrar, mas ela não quis e deixei pra lá até porque na época meu esposo não gostava de gatos.

Fui dormir e no dia seguinte quando abri meus olhos, vi aquela coisa preta na minha cara, pulei da cama e corri pra falar com a minha mãe, pois meu digníssimo esposo costuma “desmaiar” e não dormir.rss

Me aproximei da gatinha que já não estava assustava, pelo contrário estava muito à vontade, falei com a minha mãe que iria ficar com ela. Acordei o Marcelo e dei a notícia, ele não estava gostando nem um pouco, mas meu poder de persuasão é grande.rss

Comprei ração, caixinha com areia e a tranquei no meu quarto, eu já tinha o Peter e a Shena e toda vez que a pobrezinha passava no muro os dois ficavam enlouquecidos.

De vez em quando ela saia pra dar suas voltinhas. As piores épocas eram as do cio, eu não deixava ela sair, mas teve uma noite que resolvi deixar ela dar uma volta no telhado, tentei ficar de olho e logo depois a chamei para entrar, nesse ponto ela era bem obediente, uns 2 meses depois as 4 horas da madrugada, Cléo começou a gritar na minha cara, ela sempre dormia no meu lado da cama. Levei um susto, pensei logo: “a gata está morrendo”. Acendi a luz e comecei a apalpá-la e ela continuava gritando, obviamente o Marcelo continuava dormindo (eu tenho inveja de quem dorme que nem pedra.rss)

Sacudi o Marcelo e consegui acordá-lo, pois teríamos que levá-la pra emergência, de repente saiu uma coisa gosmenta dela, não demorou muito e ela começou a comer, fiquei desesperada (na época eu nunca tinha assistido um parto de perto), quando percebi era um gatinho e o que ela estava comendo era à placenta, a primeira coisa que me veio a cabeça foi: “Mas que gata sem vergonha como foi que ela ficou grávida e eu nem percebi?”

Nasceram três gatinhos, arranjei uma caixa com um paninho para os quatro ficarem. Que beleza naquele momento eu tinha me tornado “vovó”. rss

Na noite seguinte fui dormir e deixei todo mundo na caixa, de madrugada (tenho o sono muuuuito leve) senti uma coisa quentinha na cama, quando percebi era um filhote, dei um pulo e acendi a luz pra procurar o restante da turma, consegui achar o segundo, fiquei desesperada procurando o outro debaixo da cama e em todos os lugares, é claro que o Marcelo continuava dormindo, quando me dei conta comecei a empurrá-lo para o outro lado da cama e o pobrezinho estava todo amassadinho debaixo da sua coxa, infelizmente o bichinho morreu. Cleo sempre dormiu do meu lado e não estava gostando nem um pouco de dormir numa caixa, então ela resolveu levar todos os filhotes pra cama, depois disso eu tive mais cuidado e quase não dormia, assim que a Cleo subia na cama eu mandava ela descer, depois ela se acostumou com a caixinha. Os outros dois sobreviveram e consegui arranjar dono para os dois.

É claro que logo depois eu castrei a Cléo.

Um tempo depois ganhei a Mirahy e lá em casa tínhamos uma regra muito clara, a porta do meu quarto tinha que ficar fechada por causa da gata, eu morria de medo que os cachorros achassem que ela era uma caça e o pior pudesse acontecer.

Comecei a chegar em casa e ver a porta do meu quarto sempre aberta, eu fazia um escândalo, sempre dava bronca na minha irmã, na minha mãe e no meu marido. Um dia estávamos vendo um filme na sala quando de repente a porta do meu quarto abriu, logo depois a Cléo saiu e todos me olharam feio dizendo: “Tá vendo você brigava com todo mundo, por causa da porta e quem estava deixando aberta era a gata.” Foi muito engraçado, mas agora eu tinha um problema, a porta só poderia ficar trancada e convenhamos era muito chato.

Foi então que resolvi acostumar a Cléo com os cães.

Comecei com um de cada vez, uma pessoa da casa segurava um cão na guia e eu segurava a Cléo numa distancia razoável, ela fazia um escândalo no início parecia que ia morrer.

Eu fazia por 5 minutos pra não deixá-la estressada, também tinha que controlar os cães (o Peter ficava bastante agitado quando a via).

Aos poucos ambos foram relaxando e o último estágio do exercício foi deixar um cão de cada vez dar uma cheiradinha no bumbum dela. Vou contar uma coisa pra vocês parecia que eles estavam cheirando droga, eu segurava a cabeça da Cléo pra ela não dar uma unhada na cara deles.

Depois da “cheiradinha” eles deram uma relaxada muito boa e começaram a deixá-la em paz (pra chegar neste estágio levei alguns meses), os cães se “cumprimentam” cheirando o rabo um do outro.

Quando ela passava no muro eles não ficavam mais tão desesperados.

Os cães ficavam numa área aberta e na outra parte da área tinha uma cobertura, um dia chegamos em casa e estava chovendo, quando eu abri a porta para os cães entrarem a Cléo estava lá toda molhada com os três (1 Rottweiler, 1 Husky e 1 Golden).

Ao mesmo tempo fiquei chocada e muito feliz, os cães estavam totalmente acostumados com ela e vice-versa. Depois desse dia a regra da porta fechada não existia mais.

Fiz a mesma coisa quando o Lancelot chegou, mas num descuido ele correu atrás dela e ela revidou com uma unhada no olho dele, ele teve uma úlcera na córnea, mas ficou bem não foi profundo, ainda bem que depois deste episódio o Lancelot teve muito mais respeito pela Cléo. Ela ficou muito bem.rss

E essa é a história da minha gatinha, bem intensa, mas divertida.

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