Mookie o meu menino maluquinho

Numa aula em grupo tive a oportunidade de treinar um Papillon, é uma raça francesa que não é encontrada com facilidade.

Seu nome era Zeca, ele era um filhote de 4 meses muito engraçadinho, ficava muito disperso na aula e sua dona sempre comentava que ele tinha muita energia. Todo filhote tem muita energia e se você não gasta da forma correta o peludinho vai direcionar pra outra coisa, por exemplo, para a destruição dos seus móveis. Nas aulas era bem complicado controlá-lo com a coleira peitoral e ele tinha muita sensibilidade no pescoço para usar um enforcador ou uma coleira de pescoço, então indiquei a coleira Gentle Leader que foi desenvolvida por veterinários, pois ela funciona como um cabresto de cavalo, você não faz pressão na traqueia do cachorro e ele pode abrir à boca a vontade, além disso, ela é eficaz porque pega nos pontos de dominância do peludo, exatamente onde o líder da matilha corrigi o cachorro, então se você encontrar um cachorro na rua com uma coleira que parece uma focinheira (tem uma tira no focinho), mas o cachorro está de boca aberta, ele não está sofrendo (eu já fui mordida por mais de um cachorro que usava essa coleira.rss).

Foi muito engraçado ver aquele pingo de cachorro com este tipo de coleira.

No decorrer do treinamento percebi que o Zeca era bem dominante com sua dona e ela estava tendo dificuldades em fazer o comando deita que está diretamente ligado a posição de submissão e no comando vem ele ficava muito disperso. Em casa sua dona começou a ficar muito atarefada no trabalho e estava tendo dificuldades em manter uma rotina de horários de passeios do Zeca, ele sempre foi um cachorro muito ativo e precisava de exercícios físicos e treinamento de obediência diariamente.

Ela começou a se questionar, achava que não estava dando qualidade de vida para seu pequeno peludo. Ele estava com 7 meses, ou seja, na adolescência canina quando ela me procurou e falou: “ Vou ter que arranjar uma outra família para o Zeca, ele não está tendo a vida que merece e não sei como resolver isso, eu moro sozinha e estou tendo dificuldades com os horários. Só irei dar pra alguém que tenha condições de cuidar e eu gostaria de acompanhá-lo de alguma maneira.”

Comecei a pensar quais pessoas teriam condições de cuidar do espoletinha do Zeca. A pessoa teria que ter tempo, ser disciplinada e ter pulso firme, pois ele demonstrava ser dominante em algumas situações.

Sempre gostei de cães de grande porte e já tínhamos 4, minha irmã sempre reclamava que ela não podia ter um cachorro pequeno.

Resolvi conversar com a minha mãe para saber o que ela achava da idéia de ter mais um cachorro, ela falou: “Pra quem tem 2 Rottweilers, 1 Husky e 1 Golden, ter um Papillon de 4 kg não faz a menor diferença.rs”

Tínhamos também outro problema, nossa matilha já estava definida e estável, entrar outro cachorro iria significar stress para os cães e para os humanos, mas minha irmã queria e confesso que estava disposta a aceitar mais um desafio e nessa altura do campeonato para os meus cães eu era líder, então poderia criar novas regras.

Então decidimos pegar o bonitinho, é claro que eu sabia que uma adolescente de 12 anos não seria responsável por um ser vivo. A responsabilidade seria minha e agora eu vou tocar num ponto muito importante sobre crianças/adolescentes e cães.

A principal reclamação que recebo dos clientes que tem filhos (crianças e adolescentes) e cachorro, é que os filhos não cuidam do cachorro conforme haviam prometido. A história é sempre a mesma, crianças e adolescentes sempre fazem seus pais acreditarem que vão cuidar do peludinho e no final das contas quem tem que cuidar são os pais.

O mais incrível é quando os adultos não gostam de cachorro e mesmo assim acabam fazendo a vontade dos filhos, depois vem às reclamações, o cachorro começa a dar trabalho, não tem ninguém pra ensinar a fazer as necessidades no local certo, ensinar a não destruir objetos (móveis, tênis, chinelo, roupas, parede, moto e etc), não tem ninguém para passear diariamente com o peludo (lembrete importante: TODOS os cães precisam passear, não importa a raça ou tamanho).

No fim das contas quem paga o pato é o cachorro que não tem culpa de nada, até porque não foi ele que escolheu ir pra casa de ninguém. A parte mais triste é que normalmente vão ficar isolados em varandas, muitas vezes sendo mal tratados porque fizeram alguma bagunça, aqueles que têm sorte conseguem arrumar um novo lar, mas infelizmente já vi inúmeros casos de cães que são amarrados em poste, abandonados em ONGs super lotadas ou vão ser jogados pelo carro e devido ao apego que tem pelo dono, vão correr atrás do carro em movimento desesperados. Os cães se apegam aos seus donos e sofrem muito com as separações. Essas histórias são reais, por isso é tão importante pensar antes de adquirir um peludo, é preciso ter tempo, paciência para ensinar, ter condições financeiras para arcar com as despesas (gastar com cachorro não é só comprar ração todo mês) e o mais importante procurar informações sobre a raça mais adequada ao seu perfil. Se você não gosta de fazer exercícios não dá pra ter um Border Collie ou um Labrador, né?

Portanto, não compre um cãozinho para dar de presente ao seu filho, se você não vai assumir a responsabilidade de cuidar dele.

Mas voltando a história do Zeca, resolvi fazer uma surpresa pra minha irmã ficando com o bonitinho.rss

A Claudia Pizzolatto sugeriu que eu mudasse o nome dele e então surgiu o Mookie. Depois de um mês na minha casa o rapazinho começou a marcar território, ou seja, fazia xixi pela casa toda, quando os machinhos vão chegando na adolescência eles tem necessidade de mostrar para as fêmeas da redondeza que tem um novo macho disponível. Não perdi tempo e resolvi castrá-lo, duas semanas depois o problema estava resolvido (o tempo que leva para a castração fazer efeito varia de um cão para o outro). Isso também ajudou a diminuir sua ansiedade. Mantive seu treinamento de maneira mais intensa por 1 ano, pois ele era muito disperso e ficava sempre ligado nas borboletas e bichinhos que passam pela rua (hoje em dia se alguém falar a palavra borboleta o Mookie fica maluquinho procurando.rss).

Um dos problemas é que ele não vinha quando era chamado, passei a usar uma guia longa (7 metros) para treinar o comando VEM.

Outro problema que ele desenvolveu foi latir as 6:00 da manhã respondendo os cães vizinhos, na hora que ele começava a latir eu levantava e colocava ele na guia e levava para o meu quarto, vocês devem achar que eu colocaria na minha cama, né? Errado, eu usava a guia para corrigi-lo, eu ficava deitada e toda vez que ele latia eu o corrigia e ensinava o comando quieto, no início era dureza acordar as 6:00 da manhã pra corrigir latido, mas já que ele ia me acordar de qualquer maneira era mais produtivo ensiná-lo a não responder os vizinhos.

Ele também não gostava de ser escovado e dava o maior show, no início eu não deixava minha irmã dar banho nele, com o reforço de hierarquia e com a obediência virou um anjinho. Treinei o Mookie por 1 ano e hoje ele é super elogiado pelos meus clientes.

Pode passar um bando de borboletas que no momento que eu o chamo ele vem.

Sua antiga dona sempre vai visitá-lo e está muito feliz por ele estar tão bem, o Mookie não faz “festa” com pessoas estranhas, mas quando ela chega ele faz a maior farra.

Ele já está com 3 anos de pura alegria e oficialmente não é mais da minha irmã, passou a ser meu, vocês sabem como os adolescentes são muitos atarefados, né?

Ele também é muito conhecido pelos meus clientes como Mookito ou menino maluquinho e acreditem ele atende de todas as formas, inclusive quando sua antiga dona chega e o chama pelo antigo nome, Zeca.

Espero que vocês tenham gostado das histórias dos meus peludinhos.

mookie

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *