Peter o Husky Siberiano

A primeira história que vou contar é do cão mais lindo e mais pimenta também. hehehe

Sempre quis ter um cachorro diferente, exótico, obediente e lindo. Peter se encaixava em quase todos os adjetivos exceto ser obediente.

Como todo dono sem experiência e sem acesso a informações, no ano em que ganhei o Peter (1998) a internet não era tão famosa e não tinha metade das informações que encontramos hoje. Comprei uma revista sobre cães e me deparei com a foto de um lindo cachorro branco com olhos azuis, falei com o meu namorado (hoje marido) é esse o cachorro que eu quero. Na revista não trazia muitos detalhes, só falava que era um Husky Siberiano.

Então começamos a procurar nos classificados dos jornais (queridos amigos hoje eu sei que essa é pior maneira de comprar um cão, procurem por criadores idôneos se forem escolher um cão de raça ou procurem uma ONG e adotem um peludinho abandonado).

Só consegui achar um único anuncio, liguei na mesma hora e um senhor muito simpático atendeu, ele tinha um sítio onde ele criava a maioria dos cães, mas ele morava no Méier e tinha dois filhotes com ele e que eu poderia ir lá conhecer. Confesso que sou bastante ansiosa e não quis esperar até o dia seguinte, convenci minha mãe e o meu namorado de que não poderíamos perder tempo, chegamos as 22:00 hrs na casa do criador, estava caindo um temporal (pra vocês terem noção da minha ansiedade. rss).

Me deparei com duas bolinhas de pêlo branco, eram 2 machinhos maravilhosos. Não sabia qual levar, o criador me disse que o que tinha os olhos cor de mel era mais agitadinho e de olhos azuis era mais calmo, como eu morava num apartamento resolvi levar o mais calmo (Nossa!! Como eu era uma pessoa sensata.hahahaha). Dei o nome de Peter, mas deveria ter dado outro nome, acho que Conan o destruidor seria melhor.rss

Quando chegamos em casa notei que o pobrezinho estava cheio de carrapatos, achei melhor não deixá-lo no meu quarto e restringi o anjinho na cozinha, obviamente após alguns minutos o rapaz resolveu gritar, o pobrezinho estava precisando de companhia e não pensei duas vezes, peguei meu colchão e coloquei na porta da cozinha, naquela noite Peter já começou a mostra como seria o nosso futuro juntos, ele me chamou pra brincar de hora em hora.

Eu já tinha 18 anos e trabalhava num escritório de 9 as 18 e minha mãe também trabalhava no mesmo horário, quando saímos para trabalhar resolvemos dar acesso a sala, a cozinha e a área de serviço (local do xixi e do cocô) para que ele tivesse bastante espaço. Deixamos alguns brinquedos e fechamos as portas dos quartos e do banheiro. Na sala tínhamos o básico: sofá, mesa de jantar, rack com televisão, som e mesinhas do lado do sofá.

Enfim uma sala normal, nas primeiras semanas o pobrezinho do rack estava levando a pior, então perguntei ao rapaz da petshop o que poderia fazer para conter a ferinha, ele me indicou pimenta malagueta. Cheguei na feira e pedi a pior pimenta que tinha ali. Em casa não esperei nenhum minuto para testar o santo remédio e enquanto eu passava a pimenta o cara de pau estava do meu lado e começou a lamber, parecia que estava lambendo doce de leite. Fiquei furiosa, pois o meliante devia ser descendente de algum baiano ou mexicano, pois ele adorou o novo tempero para o rack.

No decorrer dos meses o rack perdeu a batalha, depois foram os tênis, roupas (roupas intimas também), controle remoto, caixa de som, cadeiras, mesinhas, walkman, tudo o que ele via pela frente era destruído. Tudo o que poderia ser salvo começamos a guardar nos quartos e resolvemos fazer um portãozinho de ferro (hoje em dia é muito mais fácil, achamos em qualquer petshop, viva o século XXI!!!),  quando o portão foi instalado pensei, finalmente nossa sala vai voltar ao normal, no primeiro dia foi ótimo nada havia sido destruído e tudo que estava na sala estava inteiro. Que portãozinho milagroso!!!

No segundo dia, quando abri a porta me deparei com o animalzinho dentro do sofá, com espumas espalhadas pela casa inteira (hoje quando lembro acho a cena hilária) e o coitado do sofá com dois buracos que cabiam um Husky Siberiano. Fechei a porta achando que era uma ilusão, minha mãe que estava logo atrás perguntou:

– O que foi?

– Você não vai querer saber.

Juro que pensei em jogar o sofá junto com o Peter janela abaixo. Minha mãe também teve a mesma idéia (não se preocupem nós não jogamos. rss).

Naquela hora não sabíamos o que fazer, jogar o cachorro janela abaixo não era uma opção, então pensamos em fazer uma porta de ferro, desta maneira o atleta canino não teria como pular.

Comecei a fazer exercícios mais pesados, como sair do Centro da cidade de bicicleta sendo puxada por ele até a Urca, definitivamente isso o deixava mais calmo, já que o Husky é usado para puxar trenó então vamos trabalhar.

Conseguimos resolver este problema, mas ainda tínhamos outros. Quando confinado ele chorava, me arrastava nas ruas e tinha medo de alguns barulhos. Resolvi contratar um adestrador, liguei para alguns e vários me disseram que não era possível treinar um Husky (como sou idiota escolhi um cachorro que não da para ser treinado).

Quando estava passeando com o Peter na Praça Paris no Centro da cidade conheci um policial da guarda municipal que adestrava cães. Perguntei se ele treinava Husky, já que a maioria dos adestradores não treinava, pois Husky costumam ser muito teimosos, mas ele disse que conseguiria então resolvi contratá-lo.

Não gostei da primeira regra, eu não poderia participar das aulas, perguntei se não poderia ficar distante, acreditem se quiser ele disse que se o Peter sentisse o meu cheiro ele não faria os comandos, naquela época achei totalmente estranho, hoje sei que os métodos utilizados são muito duros, por isso muitos adestradores daquela época não deixavam os donos assistirem as aulas, mas sou teimosa e ia pras aulas. Não dava pra ver nada, mas apesar de ser uma peste eu não ia deixar a minha bolinha de pêlos nas mãos de qualquer um sozinho. Alguns meses depois do treinamento Peter só obedecia ao adestrador (me obedecer que é bom nada, né?), mas sempre fui durona e não desisti, com 2 anos Peter já me obedecia melhor, não era o Rin Tin Tin, mas pra um Husky estava bom.

Viveu conosco por 12 anos, muito bem vividos por sinal, ele me trouxe muitas alegrias e tristezas (coitada das minhas roupas e sapatos.rss), quando queria era um cachorro carinhoso, com muita personalidade. Nos últimos anos o pobre coitado teve que aturar a entrada de alguns cães e uma gata no seu território (já estávamos morando numa casa), Shena a Golden, Mirahy a Rottweiler, Lancelot o Rottweiler, Mookie o Papillon e Cleo a gata. Vocês acham que ele aceitou numa boa? Acham que foi fácil? É claro que não, até porque se ele aceitasse com facilidade ele não seria o meu lindo “pimenta malagueta”.rss

Ter o Peter foi maravilhoso porque graças a ele sou uma profissional experiente que já passou pelas dificuldades que muitos clientes enfrentam hoje, e sei que não é fácil, mas também sei que é possível reverter vários problemas.

Por isso agradeço ao meu branquelo por ter me dado a oportunidade de fazer parte da sua vida e ter me ensinado tanto sobre o mundo dos cães.

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4 Comentários


  1. Beatriz que lindoo, adoerei seu texto. Eu e meu namorado estamos loucos por um husky e desde então fico procurando tudo que posso saber sobre eles

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  2. Boa noite, perdi meu cachorro amado a pouquissimo tempo e estou procurando outro para me alegrar um pouco. Amo os huskys porem moro em apartamento e dizem q e impossivel, etc. eu posso pegar um husky morando em um apartamento, 75m2,?

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    1. Andre, não acho indicado um Husky num apartamento (você viu o que o meu Husky fez, né?), pela minha experiência com Husky e de outros clientes você terá muita trabalho e muitas vezes dor de cabeça.
      Grande Abraço

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  3. Que legal sua história. Moro em apartamento e estou procurando uma raça adequada para ser meu primeiro cãozinho dentro de minhas limitações atuais. Mas confesso que estou quase “chutando o balde” e pegando um Husky ou um Labrador, sou apaixonado por ambos. Terei tempo pra me dedicar a eles, mas tenho um sério problema que é o de ficar o dia todo fora. Por isso, e além da óbvia questão do espaço, eu ainda não consegui me decidir. Aceito sugestões 😀
    Foi muito legal ler sua história. Obrigado.

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