Temperamento X Beleza

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Olá pessoal, hoje vou falar sobre 2 casos muito parecidos, o que me leva ao seguinte questionamento. Os criadores de hoje estão mais preocupados com a aparência dos cães que vão vender ou com o temperamento?

Minha opinião sobre o assunto é muito simples, o que adianta ter um cão lindo se o cachorro morre de medo de tudo ou é agressivo com seus donos? Principalmente em raças que jamais deveriam ser agressivas. Muitas pessoas acham que os cães que apresentam medo ou agressividade foram mau tratados, posso afirmar que na maioria dos casos em que acompanho está ligado a genética. Pais agressivos e inseguros geram filhotes com os mesmos problemas, às vezes ficam piores que os pais.

Em ambos os casos em que fizemos as consultorias abordavam o mesmo problema: 2 Borders Collie em apartamento. A primeira uma fêmea de 6 meses e o outro um macho de 2 anos, ambos com insegurança e que perceberam que através da agressão conseguiam o que queriam. Resumindo os casos, com a Border de 6 meses só conseguimos fazer 3 aulas, pois seus donos estavam com muito medo e ela foi enviada para um sítio de um parente onde está super bem. No caso do Border de 2 anos foi feita uma aula e seus donos estão desesperados. Nos deram (Eu e Marcelo) 6 meses para resolver o problema do cachorro ou ele irá embora.

Não fazemos milagres, principalmente quando se trata de genética e manejo em uma raça que não foi feita para viver em apartamentos. Acho que está na hora dos criadores repensarem no futuro de seus cães, pensar em temperamento e nas questões de saúde. Quantos criadores estão cruzando cães com displasia coxo-femural sem fazer o raio-x (é impossível dizer que um cão não tem displasia sem fazer um raio-x) na matriz e no padreador? Quantos têm seus cães em canis e nem conhecem o real temperamento do seu cão? Ou quando conhecem ficam mascarando, porque o importante é a beleza.

Essa mensagem é um desabafo, não é justo que um cão que tem capacidade de trabalhar por 8 horas fique preso em um apartamento por ser o cão mais inteligente do mundo. E não falo só do Border Collie, existem várias raças que não são próprias para alguns locais e para alguns donos.

Os criadores deveriam ser mais cuidadosos, verificar e acompanhar se as pessoas que estão adquirindo o seu cão tem capacidade de lidar com raças que precisam de um cuidado maior. É muito triste ouvir que se eu não der um jeito no cão ele vai embora. Vai pra onde? Vai pra uma ONG? Vai parar nas ruas? Vai ser amarrado num poste? Ou vão abrir a porta do carro e largar o pobrezinho lá?

Quantos casos vou ter que tentar fazer um “milagre” pra que esse cão não tenha que ir embora? Alguns têm sorte em arrumar um novo dono que queira resolver o problema, mas infelizmente na maioria das vezes não é assim.

Meu esposo e sócio Marcelo, está numa consultoria agora com uma moça que adotou um Shih-Tzu com 1 ano e 2 meses, que estava agressivo com os antigos membros da família e foi doado. A sorte do pobrezinho foi que essa moça resolveu ficar com ele e está disposta a resolver seu problema.

Nesses casos sabem quantos eu vejo com um final feliz? Raríssimos.

Para os futuros donos, pesquisem, pensem bem antes de adquirir um cão.

E para os criadores acho que é a hora de repensar em que tipo de criadores querem ser. Fábrica de filhotes? Ou criadores responsáveis pelos cães que vocês colocam no mundo?

Abraços,

Beatriz Duarte & Marcelo Veras

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